Diário da Copa 2026 - Dias 26 e 27: o confronto entre Argentina e Egito foi, ao mesmo tempo, histórico e polêmico; Espanha passa por Portugal e enfrentará a Bélgica

Depois de muito tempo, a Argentina voltou a ser uma das protagonistas do futebol de seleções no começo desta década, conquistando duas Copas Américas, a Finalíssima e a Copa do Mundo de 2022. Na Copa do Mundo da FIFA 2026, a equipe comandada por Lionel Scaloni está classificada para as quartas de final e manteve seu favoritismo. Mas o drama da vitória contra o Egito foi maior que o do triunfo sobre Cabo Verde, visto que nossos hermanos saíram perdendo de dois a zero e só conseguiram a virada no final de uma partida rodeada de polêmicas que não podem ser esquecidas.

A atual edição da Copa nos mostrou, em várias situações, que a qualidade técnica de muitas seleções melhorou bastante. Hoje, muitos países contam com jogadores que atuam nos grandes centros e jovens promessas que buscam criar seus legados. Com isso, os jogos ficaram mais interessantes de se acompanhar por conta das “excelentes gerações”. Outro fato que tornou os jogos deste Mundial mais interessantes foi a imprevisibilidade.

Se perguntasse para qualquer pessoa que acompanha o futebol quem venceria o jogo entre Argentina e Egito, poucos apostariam no time africano. Mas a realidade foi que “Os Faraós” conseguiram mostrar sua força e jogar de igual para igual. No começo do jogo, é possível ver que os egípcios tentaram anular as jogadas e as trocas de passes dos argentinos com uma marcação bem forte.

Mas não foi só isso. Foram eles que, aos 15 minutos, abriram o placar com Yasser Ibrahim, que desviou um cruzamento de Marwan Attia. Nesta edição da Copa do Mundo, a Argentina não tinha ainda saído atrás do placar e teve que correr atrás do prejuízo. Tirando o fato de o gol do Egito não ter sido anulado como o da Noruega, os primeiros minutos da Argentina lembraram muito o Brasil porque ambos desperdiçaram um pênalti.

No caso da Albiceleste, foi o principal jogador do time que fez a cobrança. Lionel Messi bateu e o goleiro Mostafa Shobeir defendeu. O arqueiro do Al-Ahly voltaria a ser protagonista em outras três oportunidades, sendo que, aos 39 minutos, fez um verdadeiro milagre em um chute a queima-roupa de Julián Álvarez.

A Argentina, como esperado, teve a maior quantidade de finalizações e a maior posse de bola. Porém, quem estava vencendo era o Egito. O segundo tempo começou e as seleções se mantiveram na mesma: argentinos buscando espaços para finalizar e egípcios com uma linha defensiva bem sólida. Apesar de conseguirem finalizar à meta defendida por Shobeir, os comandados de Scaloni estavam dando muitos espaços para o contra-ataque adversário. Aos 13 minutos, uma escapada do Egito resultou em um gol marcado por Mostafa Ziko. No entanto, a arbitragem marcou uma falta no início da jogada. Essa foi uma das primeiras polêmicas da partida.

Esse lance mostrou o melhor caminho para o Egito se dar bem e foi exatamente isso que aconteceu. Aos 22 minutos, Mohamed Salah puxou o contra-ataque e tocou para Haissem Hassan, que invadiu a área e tocou para Ziko marcar o segundo gol. Nesse momento, foi possível ver, na transmissão oficial, a chateação dos torcedores argentinos. Mas eles sempre se lembrarão do que aconteceu nos 20 minutos finais.

Antes do milagre, o Egito até teve uma chance de garantir a zebra, mas Mahmoud Trézéguet não conseguiu finalizar o contra-ataque. Você não pode desperdiçar chances assim em uma Copa do Mundo. Ainda mais se no outro lado está Lionel Messi. Aos 34 minutos, o lendário camisa 10 cruzou e Cristian Romero diminuiu o placar. Quatro minutos depois, foi a vez de Messi empatar o jogo em um chute potente.

Com o placar empatado, ambas as equipes foram ao ataque com o objetivo de resolver as coisas no tempo normal e, talvez, o jogo terminasse mais tranquilamente. Só que não foi assim. Um dos lances mais polêmicos das últimas Copas aconteceu aos 47 minutos, quando Julián Álvarez conseguiu recuperar a bola de Salah, dentro da área. Na sequência da jogada, Lautaro Martínez cruzou e Enzo Fernández virou o marcador. Esse lance envolvendo o ex-atacante do Liverpool acabou gerando uma revolta do próprio atleta, de seus colegas de equipe, da comissão técnica e de todos os torcedores.

Certo, foi um gol épico de uma seleção que nunca desiste. Esse mérito ninguém tira. No entanto, foi um lance onde é possível ver um toque de Julián que impede a passagem de Salah. Além disso, o VAR poderia verificar esse possível pênalti para uma maior transparência ao jogo, evitando a criação de teorias. Bom, o jogo terminou com esse resultado. Mais uma vez nesta Copa, a Argentina conseguiu vencer uma partida complicada.

A próxima adversária do país da América do Sul será a Suíça. Após uma atuação pífia contra o Catar, a seleção suíça conseguiu se recuperar e terminou na primeira posição do Grupo B e venceu a Argélia na fase de 16 avos de final. Do mesmo modo, a Colômbia também saiu como a grande vencedora de seu grupo e venceu sua adversária na fase anterior. Nas oitavas de final, as duas se enfrentaram. Só que essa não acabou sendo uma grande partida.

Na primeira etapa, a Colômbia finalizou mais. Aos 21 minutos, Gustavo Puerta quase marcou em um belo chute colocado. O goleiro Gregor Kobel teve que fazer uma ótima defesa. Por conta de uma lesão, o atacante Johan Manzambi, que tinha participado de cinco gols, ficou de fora desse confronto. Essa foi uma grande perda para a equipe, que finalizou apenas duas vezes durante o primeiro tempo.

Uma delas aconteceu aos 30 minutos, quando Fabian Rieder obrigou o arqueiro Camilo Vargas a fazer uma grande defesa. Na segunda etapa, a criatividade de ambas as seleções caiu e, consequentemente, a qualidade do jogo caiu. Foram poucos lances perigosos. No final, a partida foi para a prorrogação. Os 30 minutos de tempo extra foram mais emocionantes. Com nove minutos, Jhon Lucumi acertou o travessão.

O meia Granit Xhaka foi o responsável pela única finalização suíça no período, aos nove minutos do segundo tempo da prorrogação. No lance seguinte, Jaminton Campaz recebeu um lançamento perfeito, mas acabou desperdiçando a oportunidade. Como o resultado permaneceu o mesmo, o “Alerta de Pênaltis” foi ativado. Na decisão, a Suíça venceu por 4 a 3 e saiu com a classificação garantida.

Com um gol no final da partida, a Espanha venceu Portugal e irá enfrentar a Bélgica, que goleou os Estados Unidos.

Um dos jogos mais esperados das oitavas aconteceu no AT&T Stadium. Na última terça-feira (07), a Espanha enfrentou Portugal. Após conquistar a Copa do Mundo em 2010, “La Roja” nunca mais conseguiu chegar às quartas de final. Nas últimas duas edições, caiu nas oitavas para Rússia e Marrocos, respectivamente. Mas esse tabu caiu contra uma seleção que ainda sonhava em levantar o troféu pela primeira vez. Essa foi uma partida decidida nos mínimos detalhes.

As duas seleções viveram momentos distintos na fase anterior. O lado espanhol, por exemplo, conquistou uma vitória tranquila contra a Áustria. Já os lusitanos venceram a Croácia nos acréscimos. Pensando nos últimos confrontos entre os dois países, era de se esperar um grande jogo.

Bom, pensando por esse lado, as duas seleções não decepcionaram. Os espanhóis tiveram uma grande chance de abrir o placar aos oito minutos. Em um contra-ataque veloz, Dani Olmo deixou Mikel Oyarzabal na cara do gol, mas o jogador chutou para fora. 

Já aos 12 minutos, Cristiano Ronaldo obrigou o goleiro Unai Simon a fazer uma boa defesa. O arqueiro de Portugal, Diogo Costa, também teve que trabalhar minutos depois. Só que, no caso do goleiro do FC Porto, foram duas defesas em sequência (após chutes de Lamine Yamal e Alex Baena).

Quando os comandados por Roberto Martínez conseguiam encaixar uma boa jogada, levavam perigo. Aos 37 minutos, por exemplo, o Unai Simón evitou um gol de Cristiano Ronaldo. Minutos depois, o lateral esquerdo Nuno Mendes acertou o travessão. No segundo tempo, a Espanha teve, novamente, uma maior posse de bola e fez o goleiro adversário trabalhar mais. Já Portugal não estava conseguindo acertar a pontaria.

Entretanto, faltava um fator surpresa. Algo que mudasse o rumo do jogo. Foi então que Luis de la Fuente, aos 40 minutos, colocou Mikel Merino no lugar de Dani Olmo. Uma substituição perfeita. Nos acréscimos, o jogador do Arsenal recebeu um belo passe de Ferran Torres e fez o único gol do jogo. Depois de 16 anos, a seleção espanhola volta a figurar entre as oito melhores seleções do mundo. Esse resultado também significa que o sonho de Portugal está adiado mais uma vez. Uma campanha que deixou muito a desejar. Resta saber se essa foi, realmente, a última Copa com Cristiano Ronaldo.

O dia 7 de julho de 2026 também marcou a despedida do último país-sede da Copa do Mundo da FIFA 2026. Aliás, esse será um dia que os jogadores dos Estados Unidos, o técnico Mauricio Pochettino e todos os estadunidenses que torceram pela seleção de soccer de seu país vão querer esquecer. Após uma vitória suada contra Senegal, a Bélgica não teve pena do time da casa e venceu o jogo por quatro a um.

Esse foi um confronto que começou dias antes da bola rolar. Afinal, todos foram surpreendidos com a notícia de que a FIFA havia retirado a suspensão de Folarin Balogun, expulso na partida contra a Bósnia e Herzegovina. Uma decisão ainda mais polêmica por conta de Donald Trump (pesquise o que ele falou sobre o lance e sobre Raphael Claus). Porém, o mais importante é aquilo que aconteceu dentro de campo.

Na primeira etapa, pôde ser visto um verdadeiro domínio dos Diabos Vermelhos. O primeiro gol não demorou a sair. Aos nove minutos, Nicolas Raskin cruzou e Charles De Ketelaere abriu o marcador. Os Estados Unidos não estavam conseguindo ter a mesma atuação interessante que tiveram em outras partidas. No entanto, conseguiu empatar aos 31 minutos com Malik Tillman, que bateu a falta e a bola desviou na barreira.

Só que os belgas não deram chances para uma reação do USMNT. Poucos minutos depois, De Ketelaere marcou mais uma vez. Agora, uma assistência de Leandro Trossard. Os outros gols belgas saíram no segundo tempo. Aos 12 minutos, Hans Vanaken fez o terceiro após uma falha estranha de Matthew Freese. Detalhe: mais um tento com a participação de Charles De Ketelaere, responsável por desarmar o goleiro norte-americano.

Parece que o jogador da Atalanta estava vivendo um dia de sorte. Até o jogador que entrou em seu lugar, quando substituído, conseguiu marcar um gol. Estamos falando de Romelu Lukaku, que é um dos principais nomes dessa geração belga. O artilheiro fechou o placar nos acréscimos. Essa é mais uma campanha muito boa da Bélgica. Resta saber se conseguirá passar por uma das melhores seleções do mundo, neste momento.

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