Diário da Copa 2026 - Dias 31 e 32: a Espanha está na final da Copa do Mundo da FIFA 2026 graças ao seu jogo coletivo. Sua adversária na decisão? Uma Argentina que se recusa a perder
Após 16 anos, a Espanha está de volta a uma final de Copa do Mundo da FIFA. A equipe treinada por Luis de la Fuente venceu a França por dois a zero e garantiu o seu lugar na grande decisão do torneio, que será disputada no dia 19 de julho. Essa não foi uma vitória de apenas um jogador, mas sim de um estilo de jogo que busca ser eficiente e coletivo. Pelo lado francês, o destaque foi a péssima pontaria no momento em que a equipe mais precisou.
Para a essa nessa fase, ambas as
seleções enfrentaram desafios distintos. A Espanha teve um pouco de trabalho,
mas Mikel Merino fez o gol que eliminou a seleção da Bélgica. Enquanto isso, os franceses eliminaram Marrocos com dois gols no segundo tempo. Antes da
competição, as duas eram as principais candidatas ao título e ambas
confirmaram os prognósticos, chegando entre as quatro melhores seleções do mundo.
Só que apenas uma chegaria à
grande decisão, que será disputada no MetLife Stadium. A Espanha começou
melhor, com um bom domínio da posse de bola e tentando encontrar caminhos para
chegar à grande área. Quando perdia a bola, fazia uma boa marcação. A equipe
comandada por Didier Deschamps conseguia dar algumas escapadas, mas não
conseguia finalizar.
Nos últimos anos, o grande
jogador da atual geração espanhola é Mikel Oyarzabal. O atacante da Real
Sociedad tem 29 anos e é o grande responsável pelo tricampeonato europeu da
Espanha, em 2024, quando marcou o gol do título. Até a partida contra a França,
tinha marcado quatro gols nesta Copa. Na semifinal, ele também foi fatal. Aos
20 minutos, Lamine Yamal foi derrubado por Lucas Digne dentro da área e o
árbitro não hesitou em marcar o pênalti.
Oyarzabal foi para a cobrança e
marcou seu quinto gol neste Mundial. Apesar do gol, a partida não teve uma
melhora significativa. Os franceses só conseguiram dar uma finalização para
fora, com Bradley Barcola. Já “La Roja” levou mais perigo. Destaque para um
lance, aos 37 minutos, que foi uma mistura de pressão na saída de bola
adversária e boa troca de passes. A tabela entre Yamal e Dani Olmo foi incrível.
Só que Fabián Ruiz foi desarmado por Dayot Upamecano na hora certa.
Quando a bola rolou para o
segundo tempo, esperava-se uma melhora de ambas as equipes. Mas o jogo voltou
quase da mesma forma. Conhecida como “Les Bleus”, a equipe francesa teve um
pouco mais de volume de ataque. Mas sem criar algo.
A principal arma espanhola iria
aparecer: o jogo coletivo. Depois de uma construção ofensiva que passou por quase todos os jogadores e tentativa de cruzamento na área, a bola
ficou com Pedro Porro que, com um passe, quebrou as linhas da França. A bola
ficou com Dani Olmo, que devolveu para Porro, que invadiu a área e marcou o
segundo gol.
Esse gol aconteceu aos 13 minutos e deu mais tranquilidade para a Espanha. Talvez mais um gol deixasse as coisas mais confortáveis, não é mesmo? Lamine Yamal chegou a fazer o terceiro, mas foi anulado. A França sentiu o segundo gol e foi para cima.
Aos 21 minutos, Mbappé
arriscou de fora da área, mas a bola desviou e foi para fora. Désire Doué
entrou no jogo para tentar algo. Mas sua melhor finalização foi aos 36 minutos,
quando o goleiro Unai Simón saiu do gol errado, mas o jogador do PSG chutou fraco.
Nos minutos finais, Ousmane Dembélé recebeu um bom passe de Rayan Cherki e ajeitou a bola para o pé
esquerdo, mas o chute foi em cima do goleiro do Athletic Bilbao. Essa foi a
última grande chance. A Espanha irá jogar mais uma Copa do Mundo no domingo. O interessante é que, assim como em 2010, a equipe chega à decisão
dois anos depois de ganhar a Eurocopa. Vamos ver se o resultado será o mesmo.
Já a França terá que se contentar
com a disputa do terceiro lugar após sua primeira derrota neste Mundial. Uma
campanha que até teve alguns pontos questionáveis, como a dificuldade contra
times um pouco mais fechados. E essa é mais uma derrota dos franceses para a
seleção espanhola. O placar foi o mesmo do confronto entre as duas na Eurocopa
2024. Ao contrário das últimas duas edições da Copa do Mundo, o país terá que
acompanhar o último jogo pela televisão e o sonho do tricampeonato foi adiado
para 2030.
A Argentina saiu atrás do placar contra a Inglaterra, mas está na final da Copa
Desde que o jogo entre Argentina e Suíça terminou, o mundo só conseguia pensar como seria o
jogo entre os argentinos e a Inglaterra. Afinal, essa é uma rivalidade que envolve futebol e questões geopolíticas. Quem apostou que esse seria
um jogo mais pegado, acertou. Mas tivemos muitos bons lances também. Nossos hermanos tiveram um pouco de dificuldade, mas mostraram que é preciso ter vontade de vencer até o
último lance. Por isso, conseguiram se classificar para a grande final.
Todos que acompanharam o
noticiário nos primeiros anos da década de 1980 provavelmente viram os grandes
fatos que marcaram os moradores dos dois países. O primeiro foi a Guerra das
Malvinas, que aconteceu entre abril e junho de 1982. É inegável que o fato deixou uma grande ferida no
coração do povo argentino. O segundo evento aconteceu em 1986, quando os países se
encontraram na Copa do Mundo. Sim, foi aquela vez em que Diego Armando Maradona anotou seu polêmico
gol de mão e aquele gol antológico, driblando vários jogadores
ingleses.
Outros dois momentos
futebolísticos que merecem ser citados aconteceram nas Copas de 1998 (Argentina elimina Inglaterra nos pênaltis)
e de 2002 (vitória inglesa durante a fase de grupos). Desta vez, as duas nações
se encontraram na semifinal do torneio mais importante do futebol.
Os sul-americanos são os atuais
campeões do mundo e, mesmo com uma campanha questionável, chegaram forte. Já os
europeus possuem um elenco recheado de estrelas, mas que também não vêm
mostrando um futebol compatível. O clima no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, estava propício
para um grande jogo. As duas torcidas estavam cantando tão alto que não se conseguia,
na transmissão oficial, ouvir os hinos.
Com a bola rolando, pduemos ver
que ninguém entrou em campo para brincar. Logo aos três minutos, Enzo Fernández acertou uma entrada mais forte em Elliot Anderson. Esse só foi o começo. Ao todo,
foram 26 faltas marcadas. O English Team começou a partida buscando conexões
diretas com o ataque e tentando chegar proximo à grande área com jogadas individuais.
Mas, por muitas vezes, parou na boa marcação argentina.
A Albiceleste, por sua vez, fez
boas trocas de passes e tentou, muitas vezes, fazer lançamentos enquanto um
jogador conseguia se infiltrar pela zaga adversária. Aos 33 minutos, uma boa chegada
da equipe comandada por Thomas Tuchel. Na ocasião, o meia Declan Rice cruzou e
John Stones cabeceou para fora. Já aos 38 minutos, foi a vez de Enzo Fernández
levar perigo à meta defendida por Jordan Pickford. O jogo foi para o intervalo
com as duas equipes empatadas no placa.
Poucos imaginavam que estava por
vir um segundo tempo insano. Ao contrário do que aconteceu na primeira etapa, a
equipe treinada por Lionel Scaloni teve as melhores ações no começo da segunda
metade de jogo. O relógio ainda não havia ultrapassado o primeiro minuto quando Julián Alvarez
saiu na cara de Pickford e fez o arqueiro do Everton se esticar todo para defender.
Na sequência do lance, o atacante do Atlético de Madrid finalizou para fora.
Mas, para ganhar um jogo, é preciso acertar o alvo e foi exatamente isso que aconteceu com a
Inglaterra. Aos 10 minutos, quando Anthony Gordon aproveitou um cruzamento de
Morgan Rogers para abrir o marcador e fazer a alegria de todos os torcedores no
estádio (e espalhados pelo país).
A partir desse momento, cada dividida
ganha virou momento de euforia para os britânicos. Já a seleção da Argentina,
mais uma vez, precisaria correr contra o relógio e fazer um milagre. Em alguns momentos,
os jogadores procuraram Lionel Messi a qualquer custo. Só que a mudança de
postura dos ingleses (se defender) iria fazer com que os sul-americanos apostassem mais em
bolas aéreas e ficassem mais próximos do gol. O goleiro Pickford teve que fazer uma defesa
espetacular aos 24 minutos após um cabeceio de Nico González.
Quem também quase balançou as
redes, de cabeça, foi Alexis Mac Allister, que acertou a trave e parou em
Pickford. O gol virou questão de tempo e isso aconteceu quando um dos maiores
jogadores de futebol ativou seu modo decisivo. Aos 40 minutos, Lionel Messi deu
um passe para Enzo Fernández, que acabou marcando um golaço de fora da área.
Aqui, até é possível questionar o posicionamento de Pickford. Mas o que não pode tirar é o mérito do jogador.
A Argentina queria mais. O
estádio “explodiu” de vez com esse gol e o grito nas arquibancadas tomou conta. E os
torcedores passaram a acreditar em mais uma virada tirada na garra e na vontade
de seus jogadores. Uma aposta certeira. Aos 47 minutos, Messi cruzou e Lautaro
Martínez apareceu dentro da área para materializar mais uma virada mágica da seleção
argentina. Mais um momento histórico para os tricampeões do mundo.
Esse foi o último grande lance desse
jogo histórico. A Argentina está na final mais uma vez. Mais uma partida que todos
irão se lembrar para sempre. Já a Inglaterra pagou por não ter buscado o
segundo gol e o futebol terá que esperar até 2030 para voltar para casa. Talvez
se Thomas Tuchel não tivesse tirado Anthony Gordon após abrir o placar
e mostrar que o time precisava marcar mais gols, o desfecho poderia ser diferente.
No próximo domingo, mais um capítulo da saga “La Scaloneta” será escrito. Uma seleção não conquista o bicampeonato mundial consecutivo desde a dobradinha brasileira em 1958 e 1962. Mas o desafio não será fácil mesmo tendo um Lionel Messi que participou de 12 gols (oito gols e quatro assistências). A Espanha levou apenas um gol na competição e possui um jogo coletivo fortíssimo. Bom, o que resta é esperar e torcer para que o MetLife Stadium receba mais uma grande partida desse esporte maravilhoso.

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