Copa América 2019: Em jogo burocrático, Brasil vence Bolívia na estreia; Desinteresse da torcida chama a atenção.

Na última quinta-feira, foi postado neste site o texto: "OPINIÃO: A seleção brasileira está pronta para reconquistar a confiança dos torcedores?  E o técnico Tite?". Nele, tentamos explicar como o técnico Tite viu sua popularidade cair nos últimos três anos e o que era necessário para melhorar essa situação. Foi citado o exemplo do último amistoso da preparação para a Copa América, contra Honduras, onde a seleção conseguiu se impôr diante de um adversário fragilizado. Essa era a expectativa para ontem, na estreia da competição contra a Bolívia, mas não foi o que aconteceu. O que vimos no Estádio do Morumbi foi mais uma partida "Padrão Tite".

O time mostrou que ainda depende muito da genialidade individual. Aquele futebol de toques bonitos, como vemos em vários times pelo mundo, não aconteceu. Apesar da retranca boliviana, os brasileiros não conseguiam mostrar intensidade, durante o primeiro tempo. Jogar com dois volantes foi um erro. Após o apito do paraguaio Néstor Pitana, o time saiu vaiado de campo. Sobre a torcida, falaremos mais tarde. 

Na segunda etapa os gols apareceram. Logo aos cinco minutos, o árbitro de vídeo marcou pênalti para a seleção brasileira. O meia Philipe Coutinho se encarregou da cobrança e marcou o primeiro tento brasileiro na competição. Vale ressaltar: Essa foi a primeira vez em que tivemos o VAR na história. 

Coutinho, aliás, iria protagonizar um raro momento de inteligência tática do jogo. Três minutos após marcar o primeiro gol, ele iria marcar o segundo após bela jogada de Roberto Firmino pela direita. Quem começou a jogada foi o atacante Richarlison, que é ponta. Essas trocas de posições foram essenciais.

Com dois a zero no placar, o técnico Tite tirou o Firmino que, apesar da assistência, não fez uma partida agradável e entrou o Gabriel Jesus, que vive boa fase. 

Quando falamos de momentos de genialidade, temos que enaltecer o jogo feito por David Neres. Um ponta esquerda que faz relembrar das origens do futebol brasileiro. Rápido, que faz dribles eficientes e que faz a torcida vibrar. Ele saiu aos 35 minutos para a entrada de Everton, um dos poucos jogadores que atuam aqui no Brasil. E ele correspondeu. Quatro minutos depois, o atleta do Grêmio recebeu ótimo lançamento de Fernandinho, enfrentou o marcador, cortou para a perna direita e marcou um belo gol. Essa foi a primeira vez que ele balançou as redes com a camisa amarela, ou melhor, com a camisa do Brasil, já que ontem foi utilizado o novo uniforme branco, uma homenagem à equipe que venceu a Copa América de 1919.

Para não dizer que a equipe de Eduardo Villegas não chutou ao gol, aos 42 minutos, o atacante Leonardo Vaca passou por dois zagueiros e bateu fraca. Defesa fácil do goleiro Alisson.

Concluindo, a equipe brasileira fez uma estreia burocrática, bem no estilo Tite. Porém, será necessário fazer muito mais que isso, a estratégia de jogo tem que ser diferente, visto que os principais adversários do time da casa também possuem grandes treinadores e atletas habilidosos. 

Torcida zumbi

Uma das principais características dos torcedores sul-americanos é o fato delas serem bem festivas. Não importa o país, não importa a fase vivida pelo time e não importa o placar. O negocio delas é empurrar o time nos 90 minutos. Até em jogos de seleções isso acontece. Quem não lembra da "invasão" argentina durante o Mundial de 2014? E os chilenos?

Mas na noite da última sexta-feria, algo chamou a atenção. Os torcedores presentes no Morumbi estavam calados, parecendo uma partida de tênis ou uma peça de teatro.

Isso preocupa bastante! O "país do futebol" estava em campo e o público presente estava desinteressado. Tá, o futebol apresentado não era dos melhores e muitas pessoas não curtem muito a seleção, mas não era motivo para esse silêncio ensurdecedor.  

Muitos falam que a selfie é o problema, mas não é! Registrar o momento faz parte! O principal problema é a falta de foco. O "novo público do futebol" se mostram pouco afetivos pelo esporte. Hoje em dia, os espaços que antes era para assistir o seu clube do coração, possuem piscina, hotel, restaurantes gourmet e por aí vai.

Isso sem falar no preço dos ingressos...

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